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Entenda o porquê das tensões raciais nos Estados Unidos

Autor: Rejane Romano

 

Desta vez foi a cidade de Charlotte que registrou mais um triste assassinato de um jovem negro nos Estados Unidos. O cenários de protestos se repete, como um déjà vu. Keith Lamont Scott foi morto por um policial no dia 20 de setembro e ao participar dos protestos o também negro identificado como Justin Carr, por fontes ligadas à família à emissora local "WBTV", acabou falecendo devido a fortes ferimentos sofridos durante uma manifestação.

 

Episódios como este têm se repetido em território americano (e porque não dizer mundial). Vamos então relembrar o histórico que tem acirrado as manifestações de afro-americanos contra a polícia nos EUA:

 

 

Michael Brown

 

 

Assassinato: Em agosto de 2014, o jovem Michael Brown foi baleado com doze tiros por um policial branco.

 

Motivo: A polícia alega que ele teria tentado roubar diversos pacotes de cigarrilhas de uma loja e que ao ser abordado se comportou de forma "agressiva", antes de ser alvejado. Mas, testemunhas dizem que, ao receber os tiros, Brown estava com as mãos para cima e desarmado.

 

Local: Ferguson, no estado do Missouri.

 

 

Cedrick Chatman

 

 

Assassinato: Com apenas 17 anos, Cedrick Chatman, foi morto a tiros após fugir de um policial. Vídeos com as imagens do incidente foram divulgados.

 

Motivo: O policial envolvido contou que abriu fogo em legítima defesa, após Chatman se virar e, "aparentemente", sacar uma arma. Ao lado do corpo foi encontrado apenas uma capa de iPhone. O chefe de polícia foi demitido, e o policial acabou formalmente acusado de homicídio.

 

Local: Chicago

 

 

Tamir Rice

 

 

Assassinato: Em novembro de 2014, Tamir Rice, de 12 anos foi assassinado por brincar com uma arma de brinquedo.

 

Motivo: O policial "pensou" que a arma que o menino portava era de verdade, mas tratava-se de uma pistola de ar comprimido.

 

Local: Cleveland

 

 

Eric Garner

 

 

Assassinato: Pai de família, Eric Garner foi morto após se recusar a tirar as mãos dos bolsos, onde não havia arma alguma, mas apenas medicamentos.

 

Motivo: A vítima foi contida à força por vários policiais brancos, que inclusive o agarraram pelo pescoço, uma prática proibida em Nova York. A ação policial foi filmada por um cinegrafista amador. No vídeo, Garner se queixa várias vezes de não conseguir respirar. Obeso e asmático, ele perdeu os sentidos e em seguida foi declarado morto no hospital.

 

Local: Phoenix

 

 

Walter Scott

 

 

Assassinato: Um policial atirou oito vezes nas costas de Walter Scott, que correu após ser parado

 

Motivo: Walter estava desarmado, mas foi baleado porque "parecia" fugir.

 

Local: Carolina do Sul

 

 

Freddie Gray

 

 

Assassinato: Ao ser transportado pela polícia Fred morreu em decorrência de lesões na coluna.

 

Motivo: Oficiais envolvidos alegam que o homem carregava uma faca no bolso, o que o levou a ser preso. Um vídeo divulgado na internet mostra Gray gritando repetidas vezes enquanto a polícia o mantém imobilizado no chão. Ao ser transportado em uma van, com as pernas algemadas, o veículo estacionou após um policial notar que a vítima estava "irada". Gray foi conduzido para o hospital, onde entrou em coma e depois morreu em razão de diversos ferimentos graves e uma fratura no pescoço.

 

Local: Baltimore

 

 

Bettie Jones

 

 

Assassinato: A mulher de 55 anos, mãe de cinco filhos, que teria sido atingida "acidentalmente" quando policiais responderam ao chamado para intervir em uma briga de família.

 

Motivo: A polícia informou que, ao atender um chamado para intervir numa confusão foram confrontados por um indivíduo agressivo, o que levou um deles a descarregar sua arma, ferindo mortalmente dois indivíduos.

 

Local: Chicago

 

 

Alton Sterling

 

 

Assassinato: Alton, de 37 anos, vendia CDs na porta de uma loja de conveniências quando foi baleado.

 

Motivo: Segundo as autoridades ele estava "armado", apesar de um vídeo gravado por testemunhas e postado na internet as cenas provarem o contrário. A vítima foi perseguida por um policial branco até que outro policial o ajudasse a jogar Alton no chão e disparasse contra ele à queima-roupa quatro vezes.

 

Local: Louisiana

 

 

Terence Crutcher

 

 

Assassinato: O veículo de Terence havia quebrado e bloqueado uma rua. Ele foi morto ao tentar abrir o porta-luvas para pegar os documentos de registro do seu automóvel.

 

Motivo: Mesmo desarmado foi morto pela policial Betty Shelby. Vídeos divulgados pela polícia mostram Crutcher com as mãos para o alto antes de ser baleado.

 

Local: Oklahoma

 

 

Casos que convergem com o apontamento da rede de pesquisa Mapping Violence, que demonstra que a polícia atira com frequência cinco vezes maior em negros desarmados do que em pessoas brancas.

 

A dor do racismo

 

As lágrimas sentidas de Zianna Oliphant interromperam uma assembleia na cidade de Charlotte, palco da atual tensão racial nos EUA. Com apenas 9 anos a menina conseguiu como poucos expressar a dor causada pelo racismo.

 

Em sua fala carregada de emoção Zianna descreveu como é a vida de uma criança negra em Charlotte, cidade onde vive. "Eu sinto que somos tratados diferente de outras pessoas, e não gosto como somos tratados", disse ela enquanto lágrimas brotavam de seus olhos.

 

Assista a vídeo que viralizou mundialmente na internet:

 

 

Vítimas de racismo policial no Brasil

 

Cada uma das mortes relacionadas acima causaram protestos pelas ruas americanas. Quebra-quebra e violência contra policiais são algumas das formas que os afro-americanos usam para manifestar seu descontentamento e se fazer ouvir.

 

Se você ficou impressionado com o relato dos casos acima, faça o exercício de imaginar uma lista similar a ser realizada com os casos ocorridos no país. Seriam nomes e mais nomes, páginas e mais páginas que tentariam inutilmente relatar os fatos. Isso porque em sua maioria os casos no Brasil não ganham destaque ou sequer citação na grande imprensa.

 

Cada novo negro morto em um morro, rua ou viela da periferia, trata-se apenas de mais um. Sem protesto, sem repercussão. Fato corriqueiro do dia a dia brasileiro.

 

 

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