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Entrevista - Judith Luacute

Judite Luacute diz que seria muito feliz, se um dia se concretizasse o sonho de oferecer a Comunidade Quilombo Canfundó, uma visita a Angola, terra dos seus antanhos

Primeira parte de uma extensa entrevista, que pela sua grandeza e importância sócio-cultural primaremos em publica-la por partes.

7 de Abril de 2017

Grande entrevista: Judith Maria Cecília Luacute

sempre sonhei conhecer a vida dos descendentes de escravos originários de Angola

A entrevista com Judith Luacute, ;atenta a vida dos Quilombos", chegou ao Brasil, em 1991, para estudar enfermagem. Desde a sua infância que invade-lhe a curiosidade de saber o que eram os escravos, forçados a sair de África e que, vieram parar ao Brasil a cerca de quatro séculos.

As gerações presentes e do por vir dos Quilombos ainda levam e levarão as marcas da vida abrupta imposta pelos senhores da escravatura.

Hoje, vivem em habitações de pau-a-pique, sitiados em terrenos que, através de lutas conseguiram a sua legalização, condicionados a certas exigências impostas pelo poder político, como a não mudança do estilo arquitetônico antiquíssimo deixado pelos seus antepassados.

Judith Luacute entende que é chegada altura de oferecer uma possibilidade de conhecerem as terras dos seus antepassados com o fim de saberem sobre as suas descendências africanas

Alves Fernandes

Jornal angolayetu (JAY) - A sua cruzada a favor dos quilombos tem uma fantástica repercussão nas redes sociais. Mas instituições angolanas como Ministério da cultura, Educação e Ensino têm algum conhecimento disso? Como reagem as suas iniciativas. Que incentivo recebe destes?

Judith Maria Cecília Luacute (JMCL) posso dizer que depois da minha primeira visita no Quilombo cafundó, em 2015, e a segunda feita agora com a comitiva consular, a situação da comunidade quilombo melhorou um pouquinho. Não se pretende substituir ninguém, até porque eu sou angolana e eles brasileiros. Porem, algo de muito importante nos liga não só a Comunidade Quilombo, como muitas outras que vou descobrindo um pouco por todo o Brasil.

JAY- esta melhoria se traduz em que?
JMCL a visita consular melhorou no sentido de que ela mandou-me uma mensagem, que eu depois lhe posso mostrar, via face book, a dizer que muita coisa vai melhorar na comunidade. Eles receberam propostas das autoridades municipais, que também estavam presentes, a dizer que vão ser incluídos em projetos estaduais que visem minimizar as dificuldades por que ainda passam.


JAY -E o que será que pensam as autoridades municipais?

JMCL -começa a despertar neles, a vontade de se prestar mais atenção no sentido de se inverter a presente realidade social.


JAY- o que é que mais tenciona fazer?

JMCL- bem, existe na região de Sorocaba, uma outra comunidade Quilombola e que pelos relatos que me chegaram, também, têm importantes semelhanças culturais com Angola. Sei igualmente que no âmbito religioso, realizam uma actividade todos os meses de julho, na qual lembram aqueles que já se foram, adorando-os e fazendo pedidos sobre várias coisas da vida. Portanto, eu irei estar presente no evento afim de prosseguir com a minha pesquisa . Gostaria, uma vez mais, convidar o consulado a lá estar, pois que isso revelou-se ser muito gratificante para a Comunidade que , recentemente foi objecto de uma visita consular.


JAY- quantos vestígios o tempo e distancia não conseguiam apagar na comunidade Quilombo Cafundó?

RMCL- ora bem, começo por olhar pela maneira como nos recebem. Semelhança das nossas tradições, eles nos recebem, cumprimentando ou estendendo as duas mãos e embaixo de uma árvore frondosa, lugar em que habitualmente, os nossos mais velhos reúnem para abordar assuntos inerentes a comunidade ou a aldeia que vivem. Também constatei que os hábitos alimentares pouco ou nada fugiram dos nossos, a exemplo, da pulenta, que o nosso funji, e tantas, mas tantas semelhanças a ponto de ter encontrado uma Língua falada por eles que se chama ACUPOPIA, ou seja, vocábulo que na Língua Nacional Umbumdo significa FALAR, uma fusão do Kimbundo e o Kikomgo resultou na língua que falam a séculos, depois de aqui terem sido trazidos.

JAY -o que é que lhe diz o facto de, logo a seguir a visita consular na referida comunidade, as autoridades locais prometeram mudar o actual quadro social?

JMCL -coincidência ou não, a verdade é que depois da visita consular recebi uma mensagem, no Watssap, envida pela coordenadora da comunidade quilombo, Sra. Regina informando que recebeu das autoridades locais promessas, visando mudar o actaul quadro social.


JAY -só isso?
JMCL o pouco que pode oferecer a eles julgamos ser muito, a julgar pela difícil situação que ainda passam, faltando-lhes quase tudo, a ponto de só dependerem dos esforços deles, em todas as questões essências da vida.

A equipa de produção da revista Angola Yetu, apurou que depois da visita consular ao Quilombo de cafundó, as autoridades municipais já abriram uma escola dentro do referido Quilombo.

A oferta de livros pelo Consulado-Geral à comunidade, de autoria de escritores angolanos, a fim de conhecerem um pouco da nossa cultura e literatura, mereceu elogios por parte da referida comunidade.

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