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Realizado em São Paulo encontro de comunidades tradicionais Bantu

Autor: Por: Danilsa Almeida
Foto: Por: Danilsa Almeida

Fortalecer os laços de amizade entre os países da região bantu, no sentido de dar visibilidade a estas manifestações no Brasil e na América Latina como um todo foi o principal objetivo visado pelo Instituto Latino Americano de Tradições Afro-Bantu - Ilabantu, com a promoção do Seminário Internacional das Comunidades Tradicionais Bantu. Realizado nos dias 12 e 13 de outubro, o evento teve lugar no bairro Recreio Campestre, Itapecerica da Serra, região metropolitana da Grande São Paulo, em um importante espaço de ressignificação e reflexão, o Nzo Tumbansi , terreiro de candomblé de feição bantu que também é a sede do instituto.

Segundo o coordenador do Ilabantu, Walmir Damasceno de Kavungu, o evento foi também uma celebração da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024), instituída pela Organização das Nações Unidas em 2014, e que expressa o reconhecimento por parte da comunidade internacional do fato de que os povos afrodescendentes representam um grupo distinto, cujos direitos humanos precisam ser promovidos e protegidos. Segundo dados do site afro-onu.org, cerca de 200 milhões de pessoas autoidentificadas como afrodescendentes vivem nas Américas, muitos outros milhões vivem em outras partes do mundo, fora do continente africano: São para nós uma herança os traços da matriz africana, tanto para o governo e a sociedade civil como também para a comunidade acadêmica e intelectual, e queremos com isso manifestar a nossa contínua luta num processo de relação Brasil-África e de estreitar as relações sociais e culturais para revelar a importância da arte africana contemporânea , explica Damasceno.

Também participante do Seminário, a Secretária de Igualdade Racial do governo do estado da Bahia, Fabya Reis, diz que, com a recuperação da identidade dos povos africanos e sua civilização, o Brasil tem colhido frutos positivos principalmente no sentido de revalorização histórica dos africanos o que tem mudado muito a consciência da brasilidade: Na Bahia nós temos feito um trabalho junto à secretaria de revalorização de todos os contingentes nacionais, e sendo o Brasil bastante diverso neste segmento. Aqui temos uma presença específica de comunidades kilombolas, pescadores, indígenas, temos os povos de terreiro ou povos de religiões de matriz africana. E sempre procuramos dialogar com o governo federal, que acolhe as políticas de valorização dos povos bantu e sua herança ,

 

O Brasil como um pedaço da África

Criado no Gabão, por 23 países de cultura bantu, para difundir a cultura afro pelo mundo, o Centro Internacional de Civilizações Bantu Ciciba foi representado no evento por Antoine Manda Tchebwa, seu diretor geral. Ele frisou que do seu ponto de vista existem dois principais  motivos que tornam importante o encontro: Primeiro pelo maravilhoso convite que o Brasil fez há muito tempo à África e que hoje se torna importante este reconhecimento que o trouxe ao evento para fortalecer a parceria entre a África e o Brasil. E, segundo, pelo reconhecimento de que os brasileiros e africanos fazem parte da mesma família, que foi separada pelos barcos e o escravagismo, porque durante muitos séculos houve a separação dos povos, mas os espíritos ninguém separa. Por isso é importante a ligação da cultura bantu entre o Brasil e a África .

Ajoie Ogunlade Marli Barbosa é integrante do Centro Cultural Africano, entidade que faz um resgate da união estre os povos africanos, oferecendo cursos em Orubá e busca elevar todas as práticas voltadas a ancestralidade do povo afro-brasileiro e a valorização dos sacerdotes do contexto do terreiro. Segundo ela, o encontro foi muito especial para o momento que o Brasil atravessa, em que as religiões de matriz africana sofrem uma perseguição, lembrando que o seminário vem resgatar a ancestralidade, a riqueza de um povo, a tradição de Angola para o Brasil:. A força que Angola traz para o nosso povo é super representativa e válida. Nós temos o intercambio que os nossos irmãos angolanos vêm estudar no Brasil, e isso é muito bom para que a gente também possa aprender sobre Angola da cultura, dos hábitos, da política, dos costumes, então em eventos como este nós temos a oportunidade de resgatar tudo isso e sair daqui energizado e maravilhado e com a nítida certeza que entre Angola e Brasil existe uma família que devemos abraçar , ressalta Ogunlade .

Realizado pelo Ilabantu em parceria com o Núcleo de Estudos Afro Brasileiros (NEAB) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o Seminário Internacional das Comunidades Tradicionais Bantu contou ainda com as presenças do Secretário de Cultura do Governo do Estado de São Paulo, José Luiz Penna e personalidades internacionais,m a exemplo de Maria da Silva Oliveira, diretora executiva da Fundação Sindika Dokolo, coleção de arte contemporânea africana, sediada em Luanda, Angola,do Cônsul Geral de Angola em São Paulo, Joaquim Augusto Belo Barroso Mangueira, a Dra. Judith Luacute, impulsionadora das culturas tradicionais de Angola e representante do Ilabantu em Angola, do ator Celso Roberto Ferreira Carlos, que interpretou o papel de Kiluanji na novela angolana Windeck, assim como do coreógrafo, ator, diretor e dançarino carioca Carlinhos de Jesus. Houve também significativa presença e participação de líderes de religiões matriz africana bantu, e de pesquisadores negros. 

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