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A ribalta da moda africana na América e na Europa “Unir o africano e o ocidental num mesmo tecido”

Autor: Danilsa Almeida
Foto: Danilsa Almeida

Duas jovens estilistas angolanas querem internacionalizar suas marcas e o Brasil é um destino desejado

AnaLoyde

Inspirada por sua avó, a estilista Loyde Ana Contreiras de Sá e Vasconcelos lançou no mercado, em 2008, a marca de roupa africana conhecida atualmente como AnaLoyde . Formada em modelagem industrial, design de moda, entre outros cursos da Modatex, antiga Civec, conhecida escola profissional de vestuário de Lisboa, Loyde, atualmente residente em Luanda, reconhece que cresceu em contato constante com agulhas, linhas e trapos: Eu acho que cada ser humano nasce com um dom, pois o meu surgiu da moda, onde tive uma ajuda da minha avó .

Loyde tem paixão pelo padrão africano, ainda que muitas das suas últimas coleções já não sejam totalmente em pano africano. Ela busca sempre misturar as culturas africana e a europeia, tentando não fugir do que é confortável, vestível e dentro da tendência: Antes de cada coleção faço sempre um estudo da nossa cultura, para que mesmo quando não utilizar o nosso tecido, estarei sempre a usar a nossa linha de inspiração . Seu estilo africanizado, não é muito diferente do que já se vê no geral, e ela tem plena consciência de que, para criar as suas peças e ter aderência, é necessário estar alinhada aquilo que é tendência. Tem como base o atelier montado em Luanda, sua marca viaja por todo o pais para fazer apresentações, desfiles e vendas. Apesar de já estar no mercado há um tempo, o evento que mais me marcou foi o primeiro evento da AnaLoyd, no lançamento da Coleção Blue Rose. A moda para mim é tudo, desde que me levanto até a hora de ir dormir eu vivo e respiro a moda .

A oportunidade de trabalhar em um evento no Brasil surgiu este ano e ela apresentou sua coleção no África Fashion Week-Brasil , o primeiro festival de moda africana no Brasil, cuja programação decorreu de 15 a 20 de Maio, como parte das atividades comemorativas do Dia de África. A estilista afirma que a moda e cultura africanas estão em alta na Europa e América e que, por isso, acredita ter sido para ela uma grande experiência, um aprendizado, ter trazido para o Brasil uma mistura de culturas, uma amostra das suas raízes, afirmando assim também a valorização cultural brasileira: Tenho plena certeza que aprenderei muito com este novo foco, mais faz parte do processo de vida, aprende-se todos os dias .

Sendo o Brasil um destino a expandir seu trabalho e reconhecendo que a disputas são constantes para ser reconhecida, Loyde afirma que competitividade é bom para uma mente criativa, ajuda o ser humano a ter mais criatividade. O que eu tenho para oferecer ao mercado brasileiro é o fato de poder representar a África e, só com isso, estarei a levar as raízes dos brasileiros para o Brasil .

Ngamuturi Barroso

Natural de Luanda e residente há mais de 10 anos na cidade independente de Karlsruhe, na Alemanha, angolana Ngamuturi Barroso é uma conceituada designer de moda em estilo. O trabalho como estilista profissional começou há apenas dois anos, mas Ngamuturi que teve o interesse despertado pela costura desde muito pequena, quando sua mãe costurava vários tipos de peças, momentos estes que a levaram a dedicar-se a essa área. Tendo por base a crença na beleza como representação da moda e como fonte de inspiração o povo angolano e todos os africanos, ela procura inserir seu trabalho na realidade do mercado internacional: Já que as minhas tendências estão viradas a este lado, para que tenha uma ampla aceitação e tendo em conta a globalização, tenho me cingido em fazer uma mistura entre o Africano e o Ocidental, de forma a ultrapassar as outras fronteiras .

Em julho de 2017, por iniciativa própria na cidade de Karlsruhe, Ngamuturi explorou a passarela e apresentou seu primeiro trabalho, expondo os modelos da marca Ngamuturi Barroso . Residindo na Alemanha e já tendo assistido vários eventos de estilistas africanos, ela apresentou trabalhos que despertaram grande interesse dos impulsionadores da marca, em um evento com grande presença de estrangeiros, principalmente africanos, público adequado ao seu estilo, mais voltado aos trajes do continente. Aproveitou a oportunidade e procurou afirmar-se no mundo da moda com o que se tornou seu trabalho mais conhecido e impactante. Tive a experiência de ter partilhado com alguns estilistas de outros países, que me encorajaram a continuar nesta luta árdua e aprendi que esta área é dinâmica e com tendência sempre a mudar. Temos então que encontrar formas de nos adaptar sempre às novas realidades e uma delas é unir o africano e o ocidental num mesmo tecido, se assim podemos dizer, num mercado cada vez mais competitivo .

Sua coleção de roupas e acessórios hoje já é considerada um símbolo de marca para o dia-a-dia de muitos jovens africanos e alemães, que no verão exibem seus trajes nos estilos mais variados. Para a estilista, estes modelos não representam somente uma marca, mas também a bandeira de Angola e sua identidade, uma vez que busca expandir as roupas com o modelo mais divulgado de pano angolano, o samacaca , o que para ela representa grande orgulho. Ngamuturi acredita que ainda tem um grande caminho a percorrer para internacionalizar a minha. Graças a Deus, posso considerar que (meu trabalho) está dando os primeiros passos de afirmação. Ainda está confinado no estado onde vivo, embora devido à primeira apresentação da minha coleção, se expandiu em algumas cidades próximas onde existe elevado número de pessoas da comunidade africana. Um dos meus maiores desejos é apresentar a minha coleção no Moda Luanda e poder estar junto de outros estilistas angolanos/africanos .

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